Como seria?

Como seria se o mundo não fosse tão mesquinho. Se as horas não fossem horas e o tempo algo imensurável.

Como seria se a beleza não fosse bela e o que vemos fosse apenas uma distorção, uma tela com que cobrimos o mundo e pintamos com as cores que fingimos saber escolher.

Como seria se o céu não fosse céu e os rios não corressem para os mares. Se os montes e árvores e planícies não fossem mais do que rugas no pano, pequenos detalhes que nos inventamos do fundo da nossa ilusão.

Como seria se o vento e a areia fossem gigantescos mitos, como deuses de outros planetas, em constante mutação, infinitamente indecifráveis para nós.

Como seria se tudo o que somos fosse apenas um corpo.

Um corpo único e dominante, uma barca onde cabemos todos e nenhum. Vivemos todos na artéria do ser, glóbulos de diferentes tamanhos e cores, funções e posições. Nada mais.

Os sonhos não seriam nossos. Os medos, as verdades, as dores e os sorrisos seriam intrínsecos a nós, mas nunca nossos. Independentes e para sempre criação alheia. Emoções que apenas emitimos, não sentimos.

E se o ar que respiramos não fosse ar.

E se a água fosse um reflexo divergente, elementos distantes na realidade apenas do ser aglomerante do qual somos meros habitantes.

Como seria se nem de nós tivéssemos consciência, quanto mais uns dos outros.

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