Era uma vez um mosteiro e um emplastro.

O fim de semana passado foi para carregar a pilha e descobrir sítios novos. E para isso, nada melhor do que uma cidade com um super mosteiro, uma extensa história de loiça pintada à mão escondida num vale com bons restaurantes e gente tranquila: Alcobaça!

Após as devias pesquisas, acertámos no fim de semana: sol e sol! Não, isto não é outro post sobre a meteorologia, mas o post anterior foi ultrapassado e superado.

Quando descobri o Hotel Vale d’Azenha, sabia que os meus pezinhos pertenciam naquela piscina apetitosa. A minha intuição não falhou: a água estava gélida, o ventito às vezes não ajudava, mas sou teimosa e o meu corpinho trémulo entrou na água e só o cabelo se safou. Valeu cada tremelique! 🙂

O Hotel Vale D’Azenha está aninhado numa colina pertíssimo de Alcobaça, a 6,8 km, e até se consegue ver o mar ao fundo. É um porto seguro de tranquilidade. Os quartos são amplos, imaculadamente limpos e a decoração é toda ela uma sintonia com a natureza envolvente, dos tons aos materiais aplicados, com ótimo isolamento. Adicionalmente, existe a possibilidade de ficar alojado nas casas isoladas. O único reparo a fazer é a pena de não haver piscina interior. Sendo uma adepta fervorosa da opção, creio que ganhavam muito, ainda mais considerando que somos um país com períodos de chuva longos.

Posto isso, um saltinho até Alcobaça e é de encher o olho. O Mosteiro de Alcobaça é simplesmente incrível, imponente e lindo por dentro. Percorrer a nave e ver os dois túmulos de D. Inês de Castro à esquerda e D. Pedro à direita relembram-nos de como é rico este nosso país e também de como a História sempre se fez de forma trágica.

Os túmulos são de um requinte e detalhe impressionante, verdadeiras obras-primas. Curiosa é também a razão pela qual estão colocados pés com pés, quando antes estavam virados para o altar, lado a lado. Segundo as crenças, assim um dia o casal apaixonado irá ressuscitar e a primeira coisa que verão será o rosto do seu amor. Só por isso, já quero acreditar na ressurreição!

Um almoço ou jantar no Restaurante António Padeiro enche o olho e a barriga, e é sempre bom visitar um local que já vai na sua 3ª geração, onde o pudim é muitas vezes feito pela octogenária D. Júlia. Deixo uma foto das entradas só para abrir o apetite.

O restaurante O Cabeço é outra bela opção, mas um pouco afastado da cidade, uma espécie de anexo transformado num restaurante dentro de uma pequena herdade com cavalos. Durante o passeio para compensar o repasto não faltam lojas de artesanato local, em particular a porcelana de artistas locais. No nosso caso, ficámos fãs de Isabel Júlio e lá vieram umas taças e travessas para juntar à coleção. É das coisas que mais gosto quando viajo: trazer algo funcional que me faça voltar àquele sítio, àquele momento. Se possível na cozinha. 😉

Para o domingo reservámos a visita a São Martinho do Porto, uma vila acolhedora numa baía muito bonita logo abaixo da Nazaré. Com uma praia extensa e quase sem ondas, é naturalmente perfeita para famílias e o domingo solarengo estava definitivamente convidativo. Pela foto não se consegue perceber, mas é lindo chegar àquela marginal, a baía abre-se para nós e só apetece acabar mesmo com o pé na areia.

Para almoçar rumámos ao Restaurante Granada, e foi um três em três: nenhum restaurante falhou! Uma apresentação cuidada, staff educado e jovial, sentimo-nos bem. A entrada de crocante de farinheira estava perfeita: estaladiça, com o mel e o queijo a cortar o sabor forte do enchido, com uma massa leve. Adorei. O risotto de camarão estava saboroso e numa dose bem generosa, tanto de arroz como de camarão, e as plumas de porco preto com puré de feijão preto foram uma delícia.

Resumindo: um passeio de três dias com descanso, sol, comida boa e cultura portuguesa. Realmente, para quê sair com tanto para ver cá dentro?

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