Ultrapassar o silêncio

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Com o outono chegou o silêncio.

E já passaram quase três semanas desde o último post.

E falhei o desafio da fotografia/escrita. Cheguei aos 40, nada mau.

Sempre ouvi dizer que quando não temos nada a acrescentar, mais vale ficar calado. E foi isso que fiz.

Terminei o desafio com as minhas tão aguardadas férias, cheias de luz e força.

Mas assim que cheguei, a vida forçou-me a enfrentar a realidade bem de frente. Nua e crua. Tive de me lembrar de como, apesar de tudo, às vezes o mal triunfa. Por muito que as boas pessoas façam a coisa certa.

Custou-me ver alguém forçado a contar as suas mágoas para uma plateia atenta, apenas porque assim é a vida. Era isso, ou permanecer presa a um passado que já não era o seu. E doeu-me ver o outro lado ganhar esse pequeno pedaço da luta. Ganhou na sua arrogância egocêntrica, na sua convicção de que a coragem nos faltaria a todas.

O outro lado estava enganado. Nesta primeira batalha, o bem venceu. Havia mais força nas nossas lágrimas do que na avareza das palavras deles. É nisso que tinha de me concentrar. No entanto, não consegui. Segui em frente, a vida continuou, aparentemente nada mudou.

Mas por dentro, esvaziou-me de palavras. Escureceu-me o futuro e tirou-me a beleza dos pensamentos. Se não tinha nada de bom para dizer, para quê partilhar mais tristeza neste mundo?

Não acredito nisso. Acredito em partilhar o que escrevo para espalhar luz, para fazer sorrir. Aqui quero sempre escrever para fazer brilhar o sol, ser um movimento contrário à corrente de negativismo com que somos bombardeados todos os dias. Aqui escrevo para nunca me esquecer dos inúmeros pequenos momentos de felicidade que a vida me dá, na esperança que assim faça alguém lembrar-se dos seus. Aqui insisto em falar apenas do bom que temos na nossa vida.

Mas esta batalha esgotou-me. Com o outono, as minhas boas intenções começaram a cair como folhas das árvores. Foram-se indo com o vento e eu ainda estava presa ao sol e à leveza do verão. Caí redonda no chão e custou-me a levantar.

Precisei de silêncio, de deixar realmente calar as palavras. Fechei as janelas à luz e deixei-me estar um pouco assim, lentamente a habituar-me aos dias mais sombrios deste tempo que se avizinha.

Não me apeteceu partilhar as minhas primeiras castanhas deste outono (trazidas à porta e tudo!). Nem as fotos das primeiras folhas de vermelho-fogo, dos cogumelos que saltam por aqui, ou das “nossas” primeiras quiches. Tinha as fotografias, simplesmente não tinha palavras para as acompanhar.

Talvez recomece o desafio, talvez não. Mas as palavras voltaram e isso faz-me sorrir.

Já vale a pena partilhar, não?

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