Diário de um Sonho VII

Num país feito de contrastes, foi agreste a diferença de emoções entre Nashville e Memphis, duas cidades com tanto em comum e em caminhos tão distintos. Mas a cada novo destino, foi assim que me senti, como na foto acima, a flutuar!

Estado do Tennessee – 1 de outubro de 2019

“Mesmo às portas de Nashville, cumpriu-se um sonho: prestar homenagem a Johnny Cash e a June Carter, em Hendersonville. A paragem no cemitério foi linda e ver o Old Hickory Lake, sentir aquela beleza onde eles se amaram durante 35 anos foi inspirador. O ano de 2003 marcou o fim da história deles e o início da nossa. De alguma forma acredito que estamos ligados e que o amor deles inspirou o nosso. Resta-nos fazer-lhes justiça.

Nashville é uma maravilha! A casa era perfeita com espaço e uma vista bonita da mesa. A senhora ofereceu-nos não uma, mas duas garrafas de vinho. A de tinto era da Austrália e foi uma agradável surpresa. A zona era ótima, residencial, mas recente ou com casas renovadas, tudo muito cuidado, com cafés e restaurantes, bem perto do centro.

A primeira coisa que vimos foi o monumento dos sinos, em celebração dos 200 anos da cidade. Muito bonito. Nashville é a cidade que mais cresce neste momento nos EUA e isso sente-se. Tudo fervilha. O centro tem muita vida e a baixa é uma parada de loucos com música a ecoar por todo o lado.

O nosso sábado foi muito preenchido: Museu da Música Country, estúdio B RCA onde Elvis gravou Heartbreak Hotel e a noite maluca por aquelas ruas. O domingo foi passado numa zona muito pitoresca, indo ao cinema Belcourt ver o filme de Miles Davis, depois passeando pelas lojinhas super giras e terminámos a ir ver o Grand Ole Pry.

Na semana seguinte, a viagem para Memphis durou o dobro do previsto. Devido a um acidente, acabámos por passar 3 horas parados no carro. Felizmente, tínhamos uns belos dias para recordar. Memphis foi um contraste cinzento. A casa já era bem mais longe do centro – mas sendo o centro quase fantasma, não fez muita diferença. Vê-se mais gente a passear em Barcelos! As ruas estão imensamente abandonadas, há zonas onde se vê realmente bastante pobreza e parece que a cidade se está a desvanecer.

Atravessar a cidade quase parada de Memphis grita contra a azáfama de Nashville e a paragem em frente ao Motel Lorraine, local do assassinato de Martin Luther King deixa-nos a duvidar bastante da nossa capacidade como seres humanos merecedores deste mundo.

Beale Street até às 8 horas tem meia dúzia de gatos pingados e a nossa grande sorte foi termos ido visitar a Outdoor Store! Depois de percorrermos a loja e termos ficado impressionados com o pântano interior, saímos e fomos brindados com uma comitiva de carros clássicos! Topem só estas máquinas!

Ali ficámos uma hora a apreciar beleza atrás de beleza e depois lá fomos de trotineta de volta a Beale Street – então já repleta de gente e a fazer jus ao seu nome de “the birthplace of Blues”! Sentámos a ouvir um grupo e depois casa.

A cidade vale por Graceland! Visitar a mansão e espreitar um pouco a vida de Elvis Presley é imergir-nos naqueles anos loucos e sentir a adoração coletiva que ele atraía. E merecida, em muitos sentidos. É óbvio que era apenas um ser humano, mas aquela voz, o talento, a dedicação e o sentido de caridade eram de louvar! Foi um dia fabuloso.”

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