Vinte e nove

vinte e nove

Celebrar 29 anos é assim quente e frio.

É estar ali quase na meta final, mas saber que falta um ano ainda para cruzar a meta. É estranho.

É chegar à conclusão que o tempo não volta e que quando empenamos um pé, a dor é muito mais aguda e demora muito mais tempo a desempenar.

É perceber que se nós já temos 29 anos, os nossos primos fixes com quem jogámos Jogos Sem Fronteiras e que pareciam gigantes já têm para cima de 40.

É ter de pagar as contas, aprender a assumir os erros e ficar no hospital sozinhos. A vida passa e corre e já não temos 5 anos.

Já somos grandes.

É fazer as contas e perceber que se nós celebramos 29 anos, é normal que a nossa avó de 90 anos, após 10 filhos, 17 netos e bastantes bisnetos, se ponha a acenar para a televisão a dizer que estão a olhar para ela.

É normal.

O tempo passou e ela teve a sorte de viver uma vida cheia. Está rodeada pela família maluca que a ama e, como ela diz, para ser feliz só precisamos de não passar frio nem fome. Do alto dos seus 90 quilos, a minha avó tem razão, claro.

Celebrar 29 anos é olhar para a minha avó e agradecer tê-la ainda aqui.

É ter a capacidade de continuar a acreditar e celebrar este como qualquer outro aniversário. Recordar os felizes aniversários de anos que já passaram, ver fotografias de grandes dias e sorrir perante a felicidade que sentimos. É saber que vamos sempre ter momentos menos bons, mas quem gosta de nós vai tratar de nos trazer momentos melhores.

É uma sensação agridoce.

Obviamente a idade está na cabeça, por isso, para mim, celebro sempre 9 anos.

Vá, no máximo, 19.

Foram muitos anos a ler e a reler a história do Peter Pan.

Quero para sempre acreditar em fadas, ver o bem a triunfar sobre o mal e nunca crescer. Desaprender a palavra adeus e encontrar uma Terra do Nunca em todas as terras que visitar. Guardar perto de mim todos a quem quero bem e esperar que o capitão Gancho nos deixe a todos em paz.

É ter a terrível certeza de que só temos este momento e ainda assim ter esperança no futuro.

Parabéns a mim e a todos com quem tenho vivido este caminho, que não nos falhe nunca o sorriso e, desde que não passemos fome, nem frio, com certeza seremos ainda muito felizes.

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